DESENHO

LUÍS MIGUEL CASTRO

LUÍS MIGUEL CASTRO nasceu em Guimarães, mas foi no Porto que teve os primeiros contatos com as artes
Visuais, como estudante de Litografia na Escola de Artes Decorativas do Museu Nacional de Soares dos Reis, capista da Arco-Íris.

Caderno de Ideias Literárias, e assistente de João Botelho em capas para a Afrontamento, histórica editora daquela cidade, e da lisboeta Regra do Jogo, de José Leal Loureiro. Em 1982, com 26 anos, instalou-se na capital, para frequentar a Escola de Cinema do Conservatório e prosseguir o seu interesse por teatro, depois da sua participação no Teatro Laboratório, do Porto, como ator em peças de García Lorca e Shakespeare.

Em 1986 inicia a sua colaboração com a Cinemateca Portuguesa, renovada então pelo carisma de João Bénard da Costa e pelo brilho duma nova geração de programadores cinéfilos, como José Manuel Costa, João Lopes, Luís Miguel Oliveira, António Rodrigues, Manuel Cintra Ferreira, Maria João Madeira e Manuel S. Fonseca — este último envolvido em futuros projetos editoriais, aos quais Castro conferiu direção artística. O catálogo António Silva. Centenário dum Actor, desse ano, merece distinção como novidade, mas foi a rutura gráfica propiciada pelo tema do ciclo dedicado ao cinema clássico soviético, em 1987, que revolucionou ela própria a política editorial da Cinemateca, doravante quase sempre confiada, por mais de uma década, a Luís Miguel Castro. A notoriedade desse trabalho e o seu próprio envolvimento com os meios culturais e boémios de Lisboa multiplicou exponencialmente, num ápice, o seu campo de ação: participa no design de Phala. Um Século de Poesia 1888-1988, uma iniciativa da também renovada editora Assírio & Alvim; dirige graficamente a Elle portuguesa de Teresa Coelho, a partir de outubro de 1988; faz a capa de Moby Dick de Herman Melville; e mais que tudo, toma em mãos o design da revista K, dirigida por Miguel Esteves Cardoso e quinta-essência do projeto geracional do caderno 3 de O Independente (32 números, de outubro de 1990 a maio de 1993).
O semanário de artes e espetáculos Se7e distinguiu-o como Designer do Ano em 1991.

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Nesse período, realiza cartazes para a peça Zerlina (1988), com Eunice Munõz, para o filme Idade Maior de Teresa Villaverde (1991), para o Festival Internacional de Cinema de Tróia do mesmo ano, para Coimbra 92: Cidade Capital do Teatro, e para as Festas de Lisboa de 1993. Fez também o primeiro logótipo do certame
Moda Lisboa. Mais tarde, colabora na produção do documentário Lisboa Cultural, encomenda de Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura, a Manoel de Oliveira. Em 1996 ocupa-se do catálogo duma exposição sobre Domingos Sequeira no Museu Nacional de Arte Antiga, e em 1998 do catálogo duma retrospetiva sobre Bernardo
Marques no Museu do Chiado. Em 2001 desenha a exposição e o catálogo de Um Rapaz chamado Mário Viegas, no Museu Nacional do Teatro.
Em 1999 o antigo programador da Cinemateca Manuel S. Fonseca fundou com amigos a editora Três Sinais/ Guerra e Paz, a que Luís Miguel Castro conferiu direção artística, abrindo um novo ciclo de trabalhos gráficos, de que se destacam álbuns de grande formato para obras de Agustina Bessa-Luís e Jorge de Sena. Biblia,
de 2000 (quinze cadernos numa caixa de acrílico), e Fama e Segredo na História de Portugal, de 2006, permitiram- -lhe fundir um abundante arquivo visual recorrente com a sua própria obra de ilustrador, a que deu maior atenção em anos recentes, expondo trabalhos no Teatro do Bairro e na Casa Fernando Pessoa.

Um álbum dedicado ao centenário Vidago Palace Hotel, de 2011, é o seu trabalho mais recente na área Em 2004 inícia aquela que virá a ser a sua segunda vida como Artista Visual com uma exposição no Porto na Galeria Serpente onde expõe uma série de serigrafias e pinturas a óleo, sobre isto disse Fernando Cabral Martins no texto da exposição: Luís Miguel Castro tem sido o artista de um grafismo apurado. Os livros com o seu desenho são logo reconhecíveis. A sua mão tem uma identidade de traço e de cor, isto é, de imaginação. Para ele, as palavras são como hieróglifos em que o espectador se inclui – como estas serigrafias no espelho e estes óleos (é a novidade da tradição!) que produzem uma presença física, volumétrica, vibrante. Há mais vida contemporânea nestes reflexos escritos e nestes vultos urbanos que em muitos tratados de sociologia. As imagens com palavras trazem uma cintilante carga emocional, que desencadeia histórias. Quanto aos óleos, abrem para um mundo de misteriosas forças. No todo, as frases, os espelhos e as figuras são experiências de criação, veredas abertas de um hoje desconhecido.

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