MADALENA PEQUITO Nasceu em Lisboa, em 1996. Estudou Realização Plástica do Espetáculo na Escola Artística António Arroio, licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e realizou o mestrado Arts and Cultural Enterprise na Faculdade Central Saint Martins, em Londres. Ao longo do seu percurso procurou integrar diversos projetos e promover o diálogo com outros artistas e intervenientes do meio, destacando o coletivo Vês.Três. Atualmente, trabalha no seu atelier na Casa da Dona Laura em conjunto com outros artistas.
O seu trabalho artístico tem um carácter autobiográfico e crítico. Utiliza a escrita como ferramenta de pesquisa e aborda as barreiras e desafios que encontra na sua vida enquanto artista visual. Reflecte sobre temas actuais, como a igualdade de género, a crise dos refugiados e questiona-se sobre o papel da arte e dos artistas na sociedade contemporânea.
Participou em duas Bienais Internacionais: a Bienal Contextile, em Guimarães, em 2022, e a Bienal de Arte Feminina ArtFem Macau, em Macau, em 2018. Foi finalista em alguns concursos de arte, como o Prémio Arte Jovens Criadores, o Prémio Internacional de Arte e prémio de arte Paula Rego, tendo recebido uma Menção Honrosa na Bienal Jovarte.
Formação : Mestrado Arts and Cultural Enterprise Diploma de Distinção 2022 – 2021 Central Saint Martins, Union of The arts of London . Licenciatura em Pintura . 2014-2018 . Faculdade de Belas Artes da Universidade, Lisboa . Erasmus+ . 2017-2018 . Faculdade de Belas Artes da Hungria, Budapeste
ARTIST STATEMENT
Acho difícil separar ser artista de ser jovem e mulher, pois deixo que meu dia-a-dia influencie as minhas pinturas. O meu principal objeto de estudo é a sociedade contemporânea. Não acho isso muito original, mas não consigo parar de pensar que é importante e relevante nos dias atuais. Sou uma pessoa extremamente emotiva e sensível. Portanto, uma das minhas formas de lidar com acontecimentos e partilhar a minha perspectiva dos mesmos é através da criação artística Uso a minha prática para explorar questões como crises de refugiados, direitos das mulheres e igualdade de género, numa perspectiva muito pessoal.
LER MAISParalelamente a explorar os acontecimentos do mundo atual, analiso o papel dos artistas na sociedade e critico algumas injustiças sentidas no mercado de arte. Quando penso nas questões descritas acima não consigo parar de me perguntar qual é o meu papel no meu disto. Como é que os artistas podem impactar o mundo? Seria mais útil se eu fosse menos emocional? Existe alguma maneira de tornar o mercado de arte mais transparente e inclusivo?
No mundo que enfrentamos hoje, com notícias tão negativas sobre mudanças climáticas e crises humanitárias, o processo artístico surge como uma forma de organizar as informações. Acredito que meu processo de trabalho começa no momento em que escrevo ideias aleatórias no papel ou nas anotações do telefone. Às vezes, escrevo espontaneamente um pequeno texto sobre uma ideia e depois pinto sobre ela. Porém, em outros momentos a imagem surge antes do texto. Apesar dessa conexão, vejo imagens e texto como independentes um do outro. Isso porque acredito na experiência estética que uma obra de arte pode trazer.
Sou movida por cores, texturas e contrastes. Procuro o inacabado, exploro padrões e formas orgânicas. Mesmo que represente objetos figurativos, incluo-os em composições abstratas, porque todos os objetos juntos representam um mundo irreal, um universo de fantasia. Acredito que a pintura pode ser mais do que apenas uma imagem numa tela. Pode invadir o espaço e os objetos. Assim, crio instalações com perspectiva pictórica. Devido à minha experiência como professora e ao meu grande interesse em colaboração, também exploro projetos participativos.

