FRAGMENTOS DE UM DISCURSO DE ESPELHOS

CRISTINA COSTA : 2015.09.28

FRAGMENTOS DE UM DISCURSO DE ESPELHOS CRISTINA COSTA



26 DE SETEMBRO A 16 DE OUTUBRO 2015 : FIGURINOS

Não me perguntem como tudo começou. Se foi nos ensaios de pose em frente ao espelho no andar de cima, ao qual mal tinha tamanho para chegar, ou na corrida precipitada pelas escadas, em direcção à garagem, na expectativa de abrir a velha arca.

Tesouro este cheio de vestidos e trapos antigos destinados a jogos de disfarce. Certo é que, rapidamente, me vi de mão na tesoura a dissecar teias e tramas e a construir “objectos vestíveis” com linhas coloridas. Por isso ouvi vezes sem conta: “a rapariga é prendada!” ou “tem mãos de fada!” As mãos sim. As mãos são pequenas. E efectivamente cedo se viram a produzir a sua magia no lugar certo. No maior reino da ilusão que me foi dado conhecer e cujo caminho tempos para trás escolhi. O do teatro. “Revisitar” estes 35 anos torna-se tão impossível quanto imperdoável. Os objectos, desprovidos dos corpos que lhes deram vida, da luz que lhes acrescentou cor e brilho, do espaço que rasgaram, da palavra dita ou contida, tornam-se assim matéria museológica. Matéria essa na qual eu própria me cristalizo. Mas sobram fragmentos de um processo. Pedaços esses que sem um olhar atento ou curioso jamais voltarão a si. Convido-vos então a entrar neste discurso de fragmentos e a jogar, através deles, o jogo dos espelhos. Vamos!


+info : CRISTINA COSTA