ON NOUS PRESSE

MATHIEU SODORE : 2015.03.28

ON NOUS PRESSE MATHIEU SODORE ON NOUS PRESSE MATHIEU SODORE A l'heure où nous mettons sous presse



28 DE MARÇO A 23 DE ABRIL 2015 : PINTURA E DESENHO

Desde “A Arraia” de Chardin, “O Espargo” de Manet ou “A Cadeira” de Van Gogh que sabemos que a maneira de representar importa mais do que o que é representado. Daí até fixar-se num objeto usual utilitário, frio e mecânico, basta um passo que a exposição “On nous presse” ultrapassa largamente. Por um lado porque sob a sua aparente banalidade, o moinho de legumes contém uma verdadeira riqueza formal, por outro lado porque metaforicamente permite questionar de um modo lúdico uma sociedade que enaltece a velocidade, a performance, que faz pressão sobre o indivíduo.

Apesar da diversidade dos formatos, de suportes e de técnicas, a exposição é concebida como um conjunto homogéneo. Em primeiro lugar pela utilização do moinho de legumes, figura central de cada realização e traço de união entre as obras. Em seguida, pela omnipresença do círculo e da curva, brincando com a velocidade da linha direita, à rigidez dos ângulos. Na série de pequenos desenhos assim como na grande pintura é o arabesco que domina contrariando o retângulo dos formatos. Em cada “tondo” encontramos uma presença semelhante da curva reforçada pela forma circular do suporte. Quanto ao auto-retrato é a própria natureza da obra, espiral desenvolvida, que impõe ao espetador um movimento circular. Por fim, um outro traço comum à maioria dos desenhos é a utilização do papel milimétrico como suporte. Este tipo de papel habitualmente associado ao domínio científico e técnico encontra aqui uma outra função, permite por contraste com o estilo dos desenhos, todo em curvas, criar tensões geradoras de movimento.

“Interessar-se pelas pequenas coisas, é chegar às grandes, com o tempo.” escrevia Samuel Beckett. Idêntica fórmula me parece resumir bem a “démarche” que está na origem desta exposição. Assim, mesmo que nos pressionem (“On nous presse”), é a nós que cabe reivindicar a lentidão, afirmar a nossa liberdade de expressão, se possível com humor e elegância…


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