SOU EU A PINTAR OU É PINTURA A PINTAR POR MIM ?

Constatei que necessitava de mergulhar no baú pessoal de obras mais ou menos esquecidas, misturar as presentes, para melhor me posicionar perante o trabalho futuro.

ASSIM desejei criar num espaço do Bairro Alto, muito amavelmente cedido pelo João Cal, uma casa carregada de memórias e patinas, para encenar visualmente o meu museu privado, o quarto das minhas propostas de maravilhas desalinhadas.
PARA pôr de pé esta árdua tarefa convidei o Luis Robalo que com os seus olhos de escritor, que entre um púcaro e outro, frequentaria esse local com a tarefa de escrever uma crónica regular sobre a implementação deste desígnio. Lancei também o desafio à fotografa Claudia Teixeira que fotografou a seu gosto os diferentes estadios da composição do espaço. Num tempo que passou sem noção, permaneci mais de nove meses – entre transportar os objectos escolhidos,pintar de cenário as paredes, montar e desmontar continuamente os desenhos nas paredes ,que iam assim sendo organizados por séries de trabalho. Entretanto consegui começar a desenhar no local outros tantos que me iam inquietando.
ESTEVE-SE muito bem neste gabinete transformado em casa onde se receberam os amigos e que se transformou em atelier onde continuei a tentar resolver o problema que continuamente me atormenta e que adiante digo:
SOU eu a pintar ou é pintura a pintar por mim?
Quando me coloco perante esta pergunta, fico quase sempre sem saber que resposta dar. Mais fico também sem saber para quê?
O Porquê e o para quê?